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June 02

AQUÉM DO ESPERADO

 
Wirismar Ramos
JORNALISTA
 
Administrar não é fácil. Especialmente quando se trata da coisa pública. Uma assessoria eficaz é fundamental para que o administrador (seja prefeito, governador ou presidente) possa desenvolver seu trabalho de forma correta (se esse for o objetivo). Temos vários exemplos de governos que acabaram mal, na lama, devido a escândalos, ou mesmo deslizes que vazaram para a imprensa.
 
A respeito desse assunto, o portal Yahoo mostra um levantamento realizado pela rádio CBN sobre os sete últimos governos brasileiros que mostra que Fernando Collor, que foi banido da Presidência através do impeachment, teve 19 escândalos em seu Governo. O Governo Lula, até agora, foi cenário para 106 escândalos, sendo o Lula o presidente que mais teve seu nome envolvido em corrupção e outras denúncias. “É o recorde dos últimos sete governos brasileiros!”, diz o portal.
 
Já no site Fala, Brasil, o deputado federal João Paulo Cunha, líder do PT na Câmara, sob o título “Herança Política - Escândalos Marcantes do Governo FHC”, aponta em 45 pontos as ações e omissões levadas a efeito pelo Governo de Fernando Henrique Cardoso, na maioria dos casos por conta de assessoria corrupta.
 
Nosso exemplo 
 
Em Roraima, temos também nosso quinhão de maus exemplos de governos mau administrados, como o “Escândalo dos Gafanhotos” e o “Escândalo da Codesaima”, só para citar alguns mais recentes. Assim como nos demais exemplos, os assessores locais também tiveram sua grande parcela de contribuição. Tão interessante quanto assumir um Governo, é saber escolher uma boa assessoria. Afinal, o Governo não se resume apenas a uma pessoa (o governador, o prefeito ou, o presidente) e sim a um grupo de pessoas, que unidas, devem falar a mesma linguagem. E, o mais importante, saber orientar o seu chefe para que este não cometa desatinos que venham a prejudicar não apenas à sua administração, mas principalmente à população.
 
Com a posse do governador Anchieta Júnior, no final do ano passado, veio a esperança de que muita coisa mudaria na forma de administrar o Governo de Roraima, por se tratar de um sangue novo, nova visão, novos objetivos, apesar de ele ter anunciado que daria continuidade aos projetos de Ottomar Pinto - e tem cumprido, até hoje, essa promessa.
 
Entretanto, algumas atitudes desta administração têm tirado o sono de muita gente e causado transtornos para a população. Não quero crer que tais atitudes tenham como culpado unicamente o governador, mas tenho a convicção que sua assessoria direta tem sim grande responsabilidade. Afinal, o secretário de Estado, o assessor direto, além de cuidar (com zelo) de sua pasta, também tem a obrigação de propor ao governador soluções inteligentes para os problemas que surgem.
 
Só para citar alguns exemplos, a principal rádio do Estado, Rádio Roraima (de propriedade do Governo do Estado), está com um sinal prejudicado, sem que possa ser sintonizado na maioria das localidades do interior, simplesmente porque um assessor “acha” um exagero a quantidade de equipamentos solicitada pela Direção da  emissora para que o problema seja solucionado.
 
Outro exemplo foi na solenidade de contratação dos estudantes beneficiados com o Estágio Remunerado, no dia 3 de abril, no Palácio Laife Salomão. Desnecessário o anúncio feito pelo governador de que no próximo ano cada estudante integrante do programa, além da bolsa, também ganhará um computador. A reação negativa foi imediata e por pouco o governador não foi vaiado pelo auditório lotado, já que os estudantes que estavam ali não serão beneficiados com a medida. Para contornar a situação, o governador foi obrigado a anunciar o aumento de R$ 100,00 no valor da bolsa, passando para R$ 300,00 - valor que, aliás, ainda não foi pago até agora. No primeiro mês, os estudantes receberam R$ 240,00 e no segundo, R$ 250,00.
 
O mais recente episódio foi o reajuste diferenciado concedido aos servidores públicos estaduais. Somente os defensores públicos e os secretários de Estado, além dos servidores de nível superior (fora os da educação) ficaram satisfeitos - estes últimos tiveram reajuste de 43%, enquanto os demais servidores só receberam 10%.
 
Não sei qual o critério utilizado pelo chefe do Executivo para conceder o aumento de salário, mas me parece mais acertado, ou coerente, que o reajuste tivesse sido linear: mesmo que fosse apenas 10%, mas para todas as categorias. Certamente não teria estourado uma série de reclamações que resultaram em greves que acabam por prejudicar (e muito) a população, a exemplo dos auxiliares de enfermagem, dos professores e, agora, dos demais servidores civis do Estado.
 
Agora, depois do imbróglio formado, será difícil contornar a situação até convencer esses servidores a voltarem ao trabalho. Claro que voltarão, mas somente depois de uma oferta menos mesquinha que os 10% oferecida pelo Executivo. Uma boa solução seria o governador reduzir o salário de todos os assessores que deixaram de fazer o dever de casa, como castigo. Assim, o Governo teria dinheiro suficiente para conceder o aumento que os trabalhadores reivindicam.
February 09

BANCOS - LUCROS SIM, RESPEITO NÃO

 

Wirismar Ramos

JORNALISTA

 

A imprensa não cansa de denunciar o mau atendimento, a população já reclamou nas agências e no Decon (Departamento de Defesa do Consumidor), uma Lei Municipal (nº 848 de abril de 2006) existe para assegurar que os clientes não passem mais que meia hora na fila, projetos de Lei tramitam na ALE-RR (Assembléia Legislativa de Roraima) obrigando a instalação de banheiros no salão de atendimento ao público e a disponibilização de poltronas especialmente destinadas a idosos, gestantes e portadores de necessidades especiais. Entretanto, nada disso adiantou, porque o atendimento bancário em Roraima continua vergonhoso.

 

É verdade que alguns bancos já melhoraram consideravelmente, instalando banheiros no salão (como fez a Caixa) e caixas eletrônicos em diversos pontos da Capital. Mas a grande maioria continua (e muito) deixando a desejar. O tempo na fila às vezes pode chegar a horas e ninguém fiscaliza, os caixas eletrônicos ficam mais tempo quebrados, ou sem dinheiro, do que funcionando (final de semana e feriados, então, nem se fala).

 

Mas a pior situação, definitivamente, é no Unibanco que em Roraima possui apenas uma agência (na Rua Coronel Pinto, Centro) e dois caixas eletrônicos que oferecem a opção “saque”, instalados na própria agência. Como se não bastasse, esses dois terminais de auto-atendimento, quando não estão vazios (sem dinheiro), pelo menos um está quebrado ou “em manutenção”.

 

O que não consigo entender, é como um banco que teve um lucro líquido de R$ 1,199 bilhão somente no terceiro trimestre de 2007, segundo o site Agência Leia   (www.agencialeia.com.br), não tem condições de instalar outros terminais de auto-atendimento em locais estratégicos da Capital, como no Aeroporto, no Pintolândia (como fez o Real e o Banco do Brasil), ou mesmo no Centro da cidade.

 

Consignação

 

Cabe aqui lembrar que o Unibanco (o menor em Roraima e com atendimento abaixo do limite da paciência) e um dos bancos que o Governo do Estado escolheu para assinar convênio, em 2005, a fim de fornecer o cartão do servidor, para empréstimos consignados em folha de pagamento e concessão de cartão de crédito para os servidores estaduais. Convênio, aliás, que já foi alvo de investigação pelo Mistério Público Estadual (MPE).

 

Segundo matéria do jornal Folha de Boa Vista (www.folhabv.com.br) do dia 27 de junho de 2007, a Promotoria de Defesa do Consumidor do MPE decidiu abrir investigação para averiguar as denúncias recebidas de servidores do Estado de que a operadora Unicard-Unibanco estaria efetuado cobranças indevidas, sob o pretexto de que teriam uma dívida devido a um contrato assinado pelo Governo do Estado com financeiras para concessão de cartão de crédito.

 

“A Folha entrou em contato com o Unibanco em Boa Vista para saber que dívida é esta e como será a cobrança, mas foi informada que o convênio foi efetuado entre o Governo do Estado e operadora Unicard e que o Unibanco não responde pela operadora. Na Secretaria Estadual de Gestão Administrativa, a Assessoria de Imprensa informou que a titular da pasta não poderia prestar esclarecimentos sobre o assunto, pois estaria em uma reunião na Secretaria de Planejamento (Seplan)”, noticiou o jornal à época. E assim, essa história nunca foi esclarecida até hoje.

 

Não sei como é o atendimento ao público do Unibanco nos demais Estados, mas em Roraima é o pior possível e infelizmente nós, servidores públicos estaduais e clientes, não temos a menor esperança de que melhore em curto, ou médio espaço de tempo.

 

Já estamos cansados de longas filas no balcão e (pasmem) no caixa eletrônico. Isso é um absurdo, uma vez que os terminais de auto-atendimento foram criados justamente para proporcionar comodidade e rapidez aos clientes. Pelo contrário, no Unibanco, são motivo de constrangimento e estresse. E ainda dizem que o “Unibanco, nem parece banco”. Realmente. Pelos menos os demais bancos oferecem mais de um caixa-eletrônico para seus clientes.

January 27

ENTRE O ISOLAMENTO E A MÍDIA

 
Wirismar Ramos
JORNALISTA
 
Finalmente, depois de um ano e três meses da minha formatura do curso de Comunicação Social (habilitação em Jornalismo) pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), consegui publicar no Youtube a primeira parte do documentário "Entre o Isolamento e a Mídia", que é parte do meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Não o fiz antes porque primeiro tive de reeditá-lo - o áudio estava muito ruim, resultado de um trabalho porco de edição, apesar de eu ter pago a quantia cobrada.
 
Tive de aprender a editar e converter o filme para o formato compatível exigido para publicação no Youtube. Mas fiquei feliz com o resultado e creio que quem o assistir, também vai gostar. O filme tem 19 minutos e foi dividido em quatro partes. Para assistir à primeira parte, click aqui.
 
"Entre o Isolamento e Mídia" mostra a situação da cidade de Pacaraima (Roraima) que, localizado na fronteira do Brasil com a Venezuela, não dispõe de nenhuma emissora de rádio brasileira. Devido a isso, a população é obrigada a ouvir somente as rádios venezuelanas, que transmitem programas em Espanhol, salvo alguns programas feitos por locutores brasileiros.
 
A produção do filme não foi fácil e teve até alguns episódios interessantes, como um dia em que o cinegrafista Charles Amaral e eu fomos detidos por nove horas no Comando do Exército de Fronteira de Santa Elena, porque estávamos filmando na cidade sem a devida autorização. Essa história completa e todo o assunto do trabalho podem ser conferidos no TCC que está disponível no Departamento de Comunicação Social da UFRR.
January 24

DESINFORMAÇÃO, OU PURA IGNORÂNCIA?


Wirismar Ramos
JORNALISTA

Nós, que moramos em Roraima, já estamos cansados de ser confundidos com Rondônia. Não apenas a imprensa do Centro-Sul, mas também autoridades importantes do país, vez por outra, deixam bem clara sua falta de conhecimento da geografia brasileira, confundindo os dois Estados.

Não sei se o mesmo acontece lá em Rondônia (provavelmente sim), mas o fato é que de vez em quando acontecem fatos que comprovam esse “deslize” para com o nosso Estado. Como se não bastasse, desde o dia 6 de setembro de 1998, Roraima tem mais um motivo para confundir os desatentos: foi nessa data que uma expedição comprovou, científica e fisicamente, que o Monte Caburaí é o verdadeiro Extremo Norte do Brasil.

A expedição foi realizada entre os dias 3 e 6 de setembro de 1998, organizada pelo então secretário de Turismo do Município de Uiramutã, o repórter fotográfico Platão Arantes, na administração do prefeito Venceslau Brás, com a participação de representantes do Exército, Aeronáutica, Governo do Estado, Universidade Federal de Roraima, Assembléia Legislativa, entre outras instituições. O Monte Caburaí, onde nasce o rio Uailã, tem 1.465m de altitude e é uma tríplice fronteira natural entre o Brasil (Uiramutã), a Guiana e a Venezuela.

De volta à Boa Vista, a expedição foi devidamente documentada e o relatório comprovando ser o Monte Caburaí o verdadeiro Extremo Norte enviado ao Ministério da Educação, sugerindo que a correção fosse feita nos livros didáticos de Geografia - o que foi feito a partir de 2002. Na edição 2008, a informação veio acrescida de fotos feitas no Monte Caburaí por Platão Arantes.

Antes desse evento, o rio Oiapoque (Amapá), era considerado o Extremo Norte brasileiro. Os expedicionários roraimenses comprovaram que o Monte Caburaí, se considerada uma linha reta, geograficamente está localizado acima do rio Oiapoque nada menos que 84,5 km. A expedição foi exaustivamente noticiada na imprensa e hoje, além da informação constar nos livros de Geografia, também está na internet bastando apenas escrever “Monte Caburaí” em qualquer site de busca que centenas de link’s são listados. Agora, não se diz mais: "do Oiapoque ao Chuí", mas sim: "do Caburaí ao Chuí".

Como vemos, disso todo mundo sabe, menos a produção das grandes emissoras de televisão do país, alguns ministros e seus assessores, alguns dos grandes jornais e, mais recentemente, a Caixa Econômica Federal (CEF). Uma peça publicitária encomendada pela CEF está no ar em todos os canais de televisão brasileiros há vários meses trazendo o velho, ultrapassado e equivocado jargão “do Oiapoque ao Chuí”.

O jornalista Fernando Heder Nogueira, percebendo o equívoco, enviou e-mail à Ouvidoria da CEF pedindo que corrigissem a desinformação. Muitos meses depois, Fernando recebeu esta semana (dia 22, para ser mais preciso) uma resposta, que transcrevo abaixo:

“Prezado Fernando,

Em resposta à sua ocorrência registrada em nosso sistema de ouvidoria, agradecemos a informação, porém infelizmente não há como mudar a propaganda que encontra-se distribuída entre todas as emissoras.

Estaremos mais atentos nas próximas campanhas.

Atenciosamente,

Carlos Alberto S. Santos Jr

Gerência Nacional de Publicidade e Propaganda

CAIXA Econômica Federal"

Atitude louvável da Caixa em reconhecer seu erro, porém é inadmissível que uma instituição desse nível cometa esse tipo de “deslize”, assim como qualquer outra que lida com o grande público, seja governamental ou não.

Não gosto de comparar o Brasil com os Estados Unidos mas, nesse caso, se faz necessário. Se fosse lá, esse equívoco seria motivo de processo na Justiça (aliás, nos EUA tudo é motivo pra processo). O Governo de Roraima poderia processar a Caixa por disseminar, em massa (“em todas as emissoras”, como disse o e-mail) uma falsa informação que certamente prejudica e muito o turismo no Estado, deixando de atrair, todos os anos, centenas de milhares de turistas estrangeiros, ou mesmo brasileiros, para conhecer o verdadeiro Extremo Norte do Brasil.

Além de ter que disponibilizar uma quantia razoável em dinheiro determinada pela Justiça para que o Estado possa investir em publicidade sobre o Monte Caburaí e desenvolver seu turismo, a Caixa também deveria ser obrigada a refazer a peça publicitária e exibi-la nas mesmas emissoras por igual período da propaganda anterior.

Posso até estar exagerando, mas como o brasileiro só costuma fechar a porta quando é roubado, ou se atenta para os fatos quando a situação pesa no bolso, esse seria um bom momento para tirar proveito dessa situação da melhor forma possível.

Click na foto abaixo para vê-la ampliada.

January 15

DE CARA NOVA


Wirismar Ramos
JORNALISTA

Ano novo, momento em que muita gente aproveita para dar uma repaginada na vida, tanto pessoal como profissional. Não é o meu caso, pelo menos por enquanto, porque ainda estou tentando me acostumar com o 2008 e, de vez em quando ainda falo, ou escrevo 2007, por conta do hábito. Normal, já que isso não acontece somente comigo. Mas confesso que comecei o ano novo com a esperança renovada de dias melhores para todos, não apenas em Roraima, mas em todo o mundo, que rezou (ou orou) para que 2007 terminasse logo e levasse consigo todas as desgraças que assolou o planeta neste ano que passou.

Decidi escrever sobre o assunto, não para lamentar o passado, mas para parabenizar quem realmente iniciou o ano com novos projetos (alguns, ou algumas, com aquela velha promessa de começar um regime, parar de beber, deixar o cigarro, etc.), novo visual, novos desafios... Nesse contexto, quero destacar algumas mudanças que aconteceram no webjornalismo roraimense. Pelo menos dois sites de notícias estão de cara nova: Jornal do Rádio e Roraima em Foco.

O Roraima em Foco, do jornalista Gilvan Costa, está mais simples, porém dinâmico e menos poluído visualmente, com novo layout apresentando as notícias principais no primeiro plano, e com links para as "últimas notícias" e "notícias mais lidas", além dos links para os colunistas de costume, priorizando as notícias locais. Já o Jornal do Rádio, dos jornalistas Waldenildo Bentes e Eudiene Martins, está totalmente reformulado e muito mais fácil de navegar, com notícias locais, nacionais e internacionais, dos mais variados assuntos, atualizadas a cada instante.

A grande novidade são os links para os blogs de conhecidos e respitados jornalistas roraimenses, a exemplo do Política com Pimenta, do jornalista Luiz Valério; e o blog do jornalista Francisco Espiridião. Agora, o nosso @Jornalismo no Sangue@ também tem um link no Jornal do Rádio, ampliando consideravelmente o alcance dos assuntos que nos propomos a discutir e debater aqui neste epaço. É a democratização da informação que ganha seu verdadeiro sentido com o uso cada vez mais racional e frequente da internet e da ferramenta chamada blog.

Aos dois sites de notícias, desejamos muito sucesso, milhares de acessos diários e que não ultrapassem a linha tênue que separa os profissionais que trabalham com responsabildade e ética da banda podre do jornalismo roraimense.


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