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    02 June

    AQUÉM DO ESPERADO

     
    Wirismar Ramos
    JORNALISTA
     
    Administrar não é fácil. Especialmente quando se trata da coisa pública. Uma assessoria eficaz é fundamental para que o administrador (seja prefeito, governador ou presidente) possa desenvolver seu trabalho de forma correta (se esse for o objetivo). Temos vários exemplos de governos que acabaram mal, na lama, devido a escândalos, ou mesmo deslizes que vazaram para a imprensa.
     
    A respeito desse assunto, o portal Yahoo mostra um levantamento realizado pela rádio CBN sobre os sete últimos governos brasileiros que mostra que Fernando Collor, que foi banido da Presidência através do impeachment, teve 19 escândalos em seu Governo. O Governo Lula, até agora, foi cenário para 106 escândalos, sendo o Lula o presidente que mais teve seu nome envolvido em corrupção e outras denúncias. “É o recorde dos últimos sete governos brasileiros!”, diz o portal.
     
    Já no site Fala, Brasil, o deputado federal João Paulo Cunha, líder do PT na Câmara, sob o título “Herança Política - Escândalos Marcantes do Governo FHC”, aponta em 45 pontos as ações e omissões levadas a efeito pelo Governo de Fernando Henrique Cardoso, na maioria dos casos por conta de assessoria corrupta.
     
    Nosso exemplo 
     
    Em Roraima, temos também nosso quinhão de maus exemplos de governos mau administrados, como o “Escândalo dos Gafanhotos” e o “Escândalo da Codesaima”, só para citar alguns mais recentes. Assim como nos demais exemplos, os assessores locais também tiveram sua grande parcela de contribuição. Tão interessante quanto assumir um Governo, é saber escolher uma boa assessoria. Afinal, o Governo não se resume apenas a uma pessoa (o governador, o prefeito ou, o presidente) e sim a um grupo de pessoas, que unidas, devem falar a mesma linguagem. E, o mais importante, saber orientar o seu chefe para que este não cometa desatinos que venham a prejudicar não apenas à sua administração, mas principalmente à população.
     
    Com a posse do governador Anchieta Júnior, no final do ano passado, veio a esperança de que muita coisa mudaria na forma de administrar o Governo de Roraima, por se tratar de um sangue novo, nova visão, novos objetivos, apesar de ele ter anunciado que daria continuidade aos projetos de Ottomar Pinto - e tem cumprido, até hoje, essa promessa.
     
    Entretanto, algumas atitudes desta administração têm tirado o sono de muita gente e causado transtornos para a população. Não quero crer que tais atitudes tenham como culpado unicamente o governador, mas tenho a convicção que sua assessoria direta tem sim grande responsabilidade. Afinal, o secretário de Estado, o assessor direto, além de cuidar (com zelo) de sua pasta, também tem a obrigação de propor ao governador soluções inteligentes para os problemas que surgem.
     
    Só para citar alguns exemplos, a principal rádio do Estado, Rádio Roraima (de propriedade do Governo do Estado), está com um sinal prejudicado, sem que possa ser sintonizado na maioria das localidades do interior, simplesmente porque um assessor “acha” um exagero a quantidade de equipamentos solicitada pela Direção da  emissora para que o problema seja solucionado.
     
    Outro exemplo foi na solenidade de contratação dos estudantes beneficiados com o Estágio Remunerado, no dia 3 de abril, no Palácio Laife Salomão. Desnecessário o anúncio feito pelo governador de que no próximo ano cada estudante integrante do programa, além da bolsa, também ganhará um computador. A reação negativa foi imediata e por pouco o governador não foi vaiado pelo auditório lotado, já que os estudantes que estavam ali não serão beneficiados com a medida. Para contornar a situação, o governador foi obrigado a anunciar o aumento de R$ 100,00 no valor da bolsa, passando para R$ 300,00 - valor que, aliás, ainda não foi pago até agora. No primeiro mês, os estudantes receberam R$ 240,00 e no segundo, R$ 250,00.
     
    O mais recente episódio foi o reajuste diferenciado concedido aos servidores públicos estaduais. Somente os defensores públicos e os secretários de Estado, além dos servidores de nível superior (fora os da educação) ficaram satisfeitos - estes últimos tiveram reajuste de 43%, enquanto os demais servidores só receberam 10%.
     
    Não sei qual o critério utilizado pelo chefe do Executivo para conceder o aumento de salário, mas me parece mais acertado, ou coerente, que o reajuste tivesse sido linear: mesmo que fosse apenas 10%, mas para todas as categorias. Certamente não teria estourado uma série de reclamações que resultaram em greves que acabam por prejudicar (e muito) a população, a exemplo dos auxiliares de enfermagem, dos professores e, agora, dos demais servidores civis do Estado.
     
    Agora, depois do imbróglio formado, será difícil contornar a situação até convencer esses servidores a voltarem ao trabalho. Claro que voltarão, mas somente depois de uma oferta menos mesquinha que os 10% oferecida pelo Executivo. Uma boa solução seria o governador reduzir o salário de todos os assessores que deixaram de fazer o dever de casa, como castigo. Assim, o Governo teria dinheiro suficiente para conceder o aumento que os trabalhadores reivindicam.
    09 February

    BANCOS - LUCROS SIM, RESPEITO NÃO

     

    Wirismar Ramos

    JORNALISTA

     

    A imprensa não cansa de denunciar o mau atendimento, a população já reclamou nas agências e no Decon (Departamento de Defesa do Consumidor), uma Lei Municipal (nº 848 de abril de 2006) existe para assegurar que os clientes não passem mais que meia hora na fila, projetos de Lei tramitam na ALE-RR (Assembléia Legislativa de Roraima) obrigando a instalação de banheiros no salão de atendimento ao público e a disponibilização de poltronas especialmente destinadas a idosos, gestantes e portadores de necessidades especiais. Entretanto, nada disso adiantou, porque o atendimento bancário em Roraima continua vergonhoso.

     

    É verdade que alguns bancos já melhoraram consideravelmente, instalando banheiros no salão (como fez a Caixa) e caixas eletrônicos em diversos pontos da Capital. Mas a grande maioria continua (e muito) deixando a desejar. O tempo na fila às vezes pode chegar a horas e ninguém fiscaliza, os caixas eletrônicos ficam mais tempo quebrados, ou sem dinheiro, do que funcionando (final de semana e feriados, então, nem se fala).

     

    Mas a pior situação, definitivamente, é no Unibanco que em Roraima possui apenas uma agência (na Rua Coronel Pinto, Centro) e dois caixas eletrônicos que oferecem a opção “saque”, instalados na própria agência. Como se não bastasse, esses dois terminais de auto-atendimento, quando não estão vazios (sem dinheiro), pelo menos um está quebrado ou “em manutenção”.

     

    O que não consigo entender, é como um banco que teve um lucro líquido de R$ 1,199 bilhão somente no terceiro trimestre de 2007, segundo o site Agência Leia   (www.agencialeia.com.br), não tem condições de instalar outros terminais de auto-atendimento em locais estratégicos da Capital, como no Aeroporto, no Pintolândia (como fez o Real e o Banco do Brasil), ou mesmo no Centro da cidade.

     

    Consignação

     

    Cabe aqui lembrar que o Unibanco (o menor em Roraima e com atendimento abaixo do limite da paciência) e um dos bancos que o Governo do Estado escolheu para assinar convênio, em 2005, a fim de fornecer o cartão do servidor, para empréstimos consignados em folha de pagamento e concessão de cartão de crédito para os servidores estaduais. Convênio, aliás, que já foi alvo de investigação pelo Mistério Público Estadual (MPE).

     

    Segundo matéria do jornal Folha de Boa Vista (www.folhabv.com.br) do dia 27 de junho de 2007, a Promotoria de Defesa do Consumidor do MPE decidiu abrir investigação para averiguar as denúncias recebidas de servidores do Estado de que a operadora Unicard-Unibanco estaria efetuado cobranças indevidas, sob o pretexto de que teriam uma dívida devido a um contrato assinado pelo Governo do Estado com financeiras para concessão de cartão de crédito.

     

    “A Folha entrou em contato com o Unibanco em Boa Vista para saber que dívida é esta e como será a cobrança, mas foi informada que o convênio foi efetuado entre o Governo do Estado e operadora Unicard e que o Unibanco não responde pela operadora. Na Secretaria Estadual de Gestão Administrativa, a Assessoria de Imprensa informou que a titular da pasta não poderia prestar esclarecimentos sobre o assunto, pois estaria em uma reunião na Secretaria de Planejamento (Seplan)”, noticiou o jornal à época. E assim, essa história nunca foi esclarecida até hoje.

     

    Não sei como é o atendimento ao público do Unibanco nos demais Estados, mas em Roraima é o pior possível e infelizmente nós, servidores públicos estaduais e clientes, não temos a menor esperança de que melhore em curto, ou médio espaço de tempo.

     

    Já estamos cansados de longas filas no balcão e (pasmem) no caixa eletrônico. Isso é um absurdo, uma vez que os terminais de auto-atendimento foram criados justamente para proporcionar comodidade e rapidez aos clientes. Pelo contrário, no Unibanco, são motivo de constrangimento e estresse. E ainda dizem que o “Unibanco, nem parece banco”. Realmente. Pelos menos os demais bancos oferecem mais de um caixa-eletrônico para seus clientes.

    27 January

    ENTRE O ISOLAMENTO E A MÍDIA

     
    Wirismar Ramos
    JORNALISTA
     
    Finalmente, depois de um ano e três meses da minha formatura do curso de Comunicação Social (habilitação em Jornalismo) pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), consegui publicar no Youtube a primeira parte do documentário "Entre o Isolamento e a Mídia", que é parte do meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Não o fiz antes porque primeiro tive de reeditá-lo - o áudio estava muito ruim, resultado de um trabalho porco de edição, apesar de eu ter pago a quantia cobrada.
     
    Tive de aprender a editar e converter o filme para o formato compatível exigido para publicação no Youtube. Mas fiquei feliz com o resultado e creio que quem o assistir, também vai gostar. O filme tem 19 minutos e foi dividido em quatro partes. Para assistir à primeira parte, click aqui.
     
    "Entre o Isolamento e Mídia" mostra a situação da cidade de Pacaraima (Roraima) que, localizado na fronteira do Brasil com a Venezuela, não dispõe de nenhuma emissora de rádio brasileira. Devido a isso, a população é obrigada a ouvir somente as rádios venezuelanas, que transmitem programas em Espanhol, salvo alguns programas feitos por locutores brasileiros.
     
    A produção do filme não foi fácil e teve até alguns episódios interessantes, como um dia em que o cinegrafista Charles Amaral e eu fomos detidos por nove horas no Comando do Exército de Fronteira de Santa Elena, porque estávamos filmando na cidade sem a devida autorização. Essa história completa e todo o assunto do trabalho podem ser conferidos no TCC que está disponível no Departamento de Comunicação Social da UFRR.
    24 January

    DESINFORMAÇÃO, OU PURA IGNORÂNCIA?


    Wirismar Ramos
    JORNALISTA

    Nós, que moramos em Roraima, já estamos cansados de ser confundidos com Rondônia. Não apenas a imprensa do Centro-Sul, mas também autoridades importantes do país, vez por outra, deixam bem clara sua falta de conhecimento da geografia brasileira, confundindo os dois Estados.

    Não sei se o mesmo acontece lá em Rondônia (provavelmente sim), mas o fato é que de vez em quando acontecem fatos que comprovam esse “deslize” para com o nosso Estado. Como se não bastasse, desde o dia 6 de setembro de 1998, Roraima tem mais um motivo para confundir os desatentos: foi nessa data que uma expedição comprovou, científica e fisicamente, que o Monte Caburaí é o verdadeiro Extremo Norte do Brasil.

    A expedição foi realizada entre os dias 3 e 6 de setembro de 1998, organizada pelo então secretário de Turismo do Município de Uiramutã, o repórter fotográfico Platão Arantes, na administração do prefeito Venceslau Brás, com a participação de representantes do Exército, Aeronáutica, Governo do Estado, Universidade Federal de Roraima, Assembléia Legislativa, entre outras instituições. O Monte Caburaí, onde nasce o rio Uailã, tem 1.465m de altitude e é uma tríplice fronteira natural entre o Brasil (Uiramutã), a Guiana e a Venezuela.

    De volta à Boa Vista, a expedição foi devidamente documentada e o relatório comprovando ser o Monte Caburaí o verdadeiro Extremo Norte enviado ao Ministério da Educação, sugerindo que a correção fosse feita nos livros didáticos de Geografia - o que foi feito a partir de 2002. Na edição 2008, a informação veio acrescida de fotos feitas no Monte Caburaí por Platão Arantes.

    Antes desse evento, o rio Oiapoque (Amapá), era considerado o Extremo Norte brasileiro. Os expedicionários roraimenses comprovaram que o Monte Caburaí, se considerada uma linha reta, geograficamente está localizado acima do rio Oiapoque nada menos que 84,5 km. A expedição foi exaustivamente noticiada na imprensa e hoje, além da informação constar nos livros de Geografia, também está na internet bastando apenas escrever “Monte Caburaí” em qualquer site de busca que centenas de link’s são listados. Agora, não se diz mais: "do Oiapoque ao Chuí", mas sim: "do Caburaí ao Chuí".

    Como vemos, disso todo mundo sabe, menos a produção das grandes emissoras de televisão do país, alguns ministros e seus assessores, alguns dos grandes jornais e, mais recentemente, a Caixa Econômica Federal (CEF). Uma peça publicitária encomendada pela CEF está no ar em todos os canais de televisão brasileiros há vários meses trazendo o velho, ultrapassado e equivocado jargão “do Oiapoque ao Chuí”.

    O jornalista Fernando Heder Nogueira, percebendo o equívoco, enviou e-mail à Ouvidoria da CEF pedindo que corrigissem a desinformação. Muitos meses depois, Fernando recebeu esta semana (dia 22, para ser mais preciso) uma resposta, que transcrevo abaixo:

    “Prezado Fernando,

    Em resposta à sua ocorrência registrada em nosso sistema de ouvidoria, agradecemos a informação, porém infelizmente não há como mudar a propaganda que encontra-se distribuída entre todas as emissoras.

    Estaremos mais atentos nas próximas campanhas.

    Atenciosamente,

    Carlos Alberto S. Santos Jr

    Gerência Nacional de Publicidade e Propaganda

    CAIXA Econômica Federal"

    Atitude louvável da Caixa em reconhecer seu erro, porém é inadmissível que uma instituição desse nível cometa esse tipo de “deslize”, assim como qualquer outra que lida com o grande público, seja governamental ou não.

    Não gosto de comparar o Brasil com os Estados Unidos mas, nesse caso, se faz necessário. Se fosse lá, esse equívoco seria motivo de processo na Justiça (aliás, nos EUA tudo é motivo pra processo). O Governo de Roraima poderia processar a Caixa por disseminar, em massa (“em todas as emissoras”, como disse o e-mail) uma falsa informação que certamente prejudica e muito o turismo no Estado, deixando de atrair, todos os anos, centenas de milhares de turistas estrangeiros, ou mesmo brasileiros, para conhecer o verdadeiro Extremo Norte do Brasil.

    Além de ter que disponibilizar uma quantia razoável em dinheiro determinada pela Justiça para que o Estado possa investir em publicidade sobre o Monte Caburaí e desenvolver seu turismo, a Caixa também deveria ser obrigada a refazer a peça publicitária e exibi-la nas mesmas emissoras por igual período da propaganda anterior.

    Posso até estar exagerando, mas como o brasileiro só costuma fechar a porta quando é roubado, ou se atenta para os fatos quando a situação pesa no bolso, esse seria um bom momento para tirar proveito dessa situação da melhor forma possível.

    Click na foto abaixo para vê-la ampliada.

    15 January

    DE CARA NOVA


    Wirismar Ramos
    JORNALISTA

    Ano novo, momento em que muita gente aproveita para dar uma repaginada na vida, tanto pessoal como profissional. Não é o meu caso, pelo menos por enquanto, porque ainda estou tentando me acostumar com o 2008 e, de vez em quando ainda falo, ou escrevo 2007, por conta do hábito. Normal, já que isso não acontece somente comigo. Mas confesso que comecei o ano novo com a esperança renovada de dias melhores para todos, não apenas em Roraima, mas em todo o mundo, que rezou (ou orou) para que 2007 terminasse logo e levasse consigo todas as desgraças que assolou o planeta neste ano que passou.

    Decidi escrever sobre o assunto, não para lamentar o passado, mas para parabenizar quem realmente iniciou o ano com novos projetos (alguns, ou algumas, com aquela velha promessa de começar um regime, parar de beber, deixar o cigarro, etc.), novo visual, novos desafios... Nesse contexto, quero destacar algumas mudanças que aconteceram no webjornalismo roraimense. Pelo menos dois sites de notícias estão de cara nova: Jornal do Rádio e Roraima em Foco.

    O Roraima em Foco, do jornalista Gilvan Costa, está mais simples, porém dinâmico e menos poluído visualmente, com novo layout apresentando as notícias principais no primeiro plano, e com links para as "últimas notícias" e "notícias mais lidas", além dos links para os colunistas de costume, priorizando as notícias locais. Já o Jornal do Rádio, dos jornalistas Waldenildo Bentes e Eudiene Martins, está totalmente reformulado e muito mais fácil de navegar, com notícias locais, nacionais e internacionais, dos mais variados assuntos, atualizadas a cada instante.

    A grande novidade são os links para os blogs de conhecidos e respitados jornalistas roraimenses, a exemplo do Política com Pimenta, do jornalista Luiz Valério; e o blog do jornalista Francisco Espiridião. Agora, o nosso @Jornalismo no Sangue@ também tem um link no Jornal do Rádio, ampliando consideravelmente o alcance dos assuntos que nos propomos a discutir e debater aqui neste epaço. É a democratização da informação que ganha seu verdadeiro sentido com o uso cada vez mais racional e frequente da internet e da ferramenta chamada blog.

    Aos dois sites de notícias, desejamos muito sucesso, milhares de acessos diários e que não ultrapassem a linha tênue que separa os profissionais que trabalham com responsabildade e ética da banda podre do jornalismo roraimense.


    07 January

    ÁKILA, EXEMPLO DE SUPERAÇÃO

    04-01-08_131706-01-08_1033 <<=== Ákila, filha de Wirismar e Aliete Ramos
     

    Quem conhece minha filha Ákila, 12, sabe das dificuldades que ela enfrenta por causa de uma Paralisia Cerebral (PC) que sofreu ao nascer, ficando com seqüelas na parte motora. Devido a isso, até hoje ela não consegue andar sem a ajuda de um andador, apesar de todos os tratamentos que faz desde a idade de 18 meses, como fisioterapia, terapia ocupacional, natação, equoterapia, fonoaudiologia, além de estudar numa escola municipal.

     

    Mesmo assim, Ákila procura ter uma vida normal, na medida do possível. Com o aprendizado comprometido e a falta de um atendimento personalizado na escola, ela teve dificuldade de acompanhar os demais coleguinhas na escola. Por conta disso, tivemos que contratar uma professora particular e, como resultado, já consegue ler e escrever.

     

    Mas a grande novidade mesmo, é o fato de ela estar desenvolvendo outros campos do aprendizado. Para imitar a mãe, Aliete, que faz trabalhos fantásticos em barbante e tecido, Ákila demonstrou interesse em aprender a fazer crochê. Mas o fato de ela ser canhota e a mãe não, criou uma certa dificuldade para ensina-la, mas o problema foi resolvido quando uma prima minha, Nalva, também canhota, ensinou à Ákila os primeiros pontos.

     

    Hoje, ela já consegue fazer pequenos trabalhos. Na foto, Ákila exibe com orgulho um chapéu de crochê feito por ela no último final de semana. Essa é uma pequena demonstração de que seja qual for a dificuldade, o problema, com força de vontade é possível supera-lo.

     

    Wirismar Ramos

    JORNALISTA

    04 January

    RÁDIO RORAIMA - 51 ANOS NO AR

     

    Wirismar Ramos

    JORNALISTA

     

    A Rádio Difusora Roraima completa hoje 51 anos de excelentes e fundamentais serviços prestados à comunidade roraimense (e por que não dizer brasileira?). É uma emissora que, ao longo desse meio século de existência, conquistou o respeito e a admiração da população, especialmente do homem do campo, que tem na Rádio Roraima às vezes a única fonte de informação e entretenimento.

     

    Primeira emissora do Estado, a Rádio Roraima teve o privilégio de ser oficialmente inaugurada pelo presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, no dia 04 de janeiro de 1957. O governador à época era José Maria Barbosa. Toda a história da Rádio, programação, curiosidades, fotos da equipe, entre outras coisas, podem ser encontrados no site www.radiororaima.com.br. Há também vários trabalhos acadêmicos que já foram produzidos a respeito da emissora, como as monografias dos jornalistas Francisco Cândido, Galvão Soares, James Serrador e, mais recentemente, Johann Barbosa.

     

    Mas a Rádio Roraima desperta interesse e curiosidade não apenas em Roraima. Recentemente, um grupo de estudantes do 4º período de Jornalismo do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB) realizou um trabalho acadêmico, inclusive criando um site (www.radiororaima.cjb.net) a respeito da Rádio, abordando o tema de como fazer jornalismo de interesse público. Aliás, no quesito jornalismo, a Rádio Roraima é pentacampeã em Roraima nos diversos prêmios ocorridos no Estado: quatro vezes campeã no Prêmio Sesi-RR de Jornalismo (em 2000 com James Serrador e 2001, 2002 e 2003 com Wirismar Ramos) e, em 2004, a jornalista Adna Neves ganhou o prêmio Jornalista Márcio Moreira Alves realizado pela Prefeitura de Boa Vista.

     

    Além de ter um jornalismo premiadíssimo e famoso pela cobertura ao vivo dos principais eventos do Estado, a Rádio Roraima também tem uma programação diversificada que atende a todos os gostos e é a única emissora do Estado na internet, com transmissão on-line, podendo ser ouvida em qualquer local do planeta onde haja um computador conectado. Sob a direção de Barbosa Júnior, a Rádio Roraima passa por um momento de transformação, com nova programação, novos objetivos, mas sempre focada em atender à coletividade por meio da informação.

     

    "Nosso maior objetivo é levar até o ouvinte uma programação ágil e moderna porém, sempre com qualidade e feita por profissionais que além de respeito pelo ouvinte, amam o exercício de fazer rádio. Nesta nova etapa da Rádio Roraima, priorizamos a produção jornalística e a qualificação de nossa programação, visando sempre levar até o ouvinte o melhor", diz Barbosa Júnior.

     

    Integrado à equipe desde agosto de 2002, já tive o privilégio de coordenar o Departamento de Jornalismo da emissora por um curto período, na gestão do jornalista Galvão Soares. Por este dia tão importante, quero aqui deixar registrada a minha alegria e orgulho em fazer parte da Rádio Roraima e parabenizar a todos os profissionais que fazem da emissora a melhor referência do fazer radiojornalismo e comunicação do Estado. 

    02 January

    BOLÍVAR FORTE

     
    Wirismar Ramos
    JORNALISTA
     

    Os venezuelanos adotaram, nesta terça-feira (1º), uma nova moeda, o Bolívar Forte, que o Governo do presidente Hugo Chávez promove como uma medida efetiva para combater a alta inflação e facilitar os processos contábeis.

     

    O Bolívar Forte é o resultado de uma reconversão monetária que cortou três zeros do Bolívar atual, com que a taxa de câmbio controlada de 2.150 Bolívares por Dólar passou para 2,15 Bolívares Fortes por divisa.

     

    Neste primeiro de janeiro, as entidades bancárias não abriram suas agências devido ao feriado nacional, e a anunciada interrupção operacional atingiu os caixas automáticos, pontos de venda comerciais e serviços on-line.

     

    Os serviços elétricos e de telefonia também suspenderam as operações administrativas até hoje (2), para se adequar à reconversão monetária. O ministro das finanças, Rodrigo Cabezas, disse que a reconversão monetária é uma decisão histórica que fecha um ciclo de instabilidade de preços no país.

     

    A nova moeda, que durante pelo menos seis meses vai conviver com o Bolívar atual, nasce precedida por uma intensa campanha do banco central da Venezuela e, em meio a uma polêmica sobre sua efetividade para controlar a inflação, que foi de 18,6% acumulada entre janeiro e novembro.

     

    Economistas venezuelanos alertaram que o Bolívar Forte corre o risco de se diluir rapidamente em meio à alta dos preços, que, segundo os analistas, é impulsionada por políticas como o alto gasto público e os controles cambial e de preços vigentes desde fevereiro de 2003.

     

    A economia da Venezuela, quinto maior exportador mundial de petróleo, cresceu 8,4% em 2007 e manteve a tendência de alta que registrou durante 17 trimestres consecutivos, com um aumento médio anualizado de 11,8%.

     

    Não muda

     

    A mudança de câmbio na Venezuela não deverá prejudicar as relações comerciais entre o Brasil e o país vizinho, especialmente porque a medida do presidente Hugo Chávez fez apenas uma reconversão monetária e não reajuste de preços. A opinião é da consulesa da Venezuela em Roraima, Lésbia Rodrigues, em entrevista a um jornal local.

     

    Tradicionalmente, o comércio entre Brasil e Venezuela acontece de forma intensa, especialmente na região de fronteira, nos Estados de Bolívar (do lado venezuelano) e Roraima (do lado brasileiro).

     

    Neste final de semana prolongado, cada real estava valendo 2.250 Bolívares. Tomando por base esse parâmetro, um Real passa a valer 2,25 Bolívares Fortes.

     

    Naturalmente que desejamos aos Venezuelanos muito sucesso nesse novo momento monetário do país. E, em se tratando do presidente Hugo Chaves, também desejo sorte aos nossos vizinhos.

     

    Experiência

     

    Nós, brasileiros, sabemos muito bem o que significa troca de moeda, ou reconversão monetária, uma vez que já passamos por essa experiência por diversas vezes. Com 38 anos de idade, lembro-me bem do Cruzeiro, Cruzeiro Novo, Cruzado, Cruzado Novo, novamente Cruzeiro e Cruzeiro Real e, agora, o Real.

     

    A atual moeda utilizada como unidade monetária do Brasil é o Real. Após sucessivas trocas monetárias (Réis, Cruzeiro, Cruzeiro Novo, Cruzado, Cruzado Novo, novamente Cruzeiro e Cruzeiro Real), o Brasil adotou o Real em 1994, que, aliado à derrubada da inflação, constituiu uma moeda estável para o país. Foi implantado no mandato do Presidente Itamar Franco.

     

    O Ministro da Fazenda na época era Fernando Henrique Cardoso. Essa foi a maior substituição de dinheiro já realizada no mundo. No dia 1º de Julho, 2.750 cruzeiros reais foram trocados por um real.

     

    O banco central recebeu e incinerou 3,4 bilhões de cédulas de cruzeiro real. Encomendou 1,5 bilhões de cédulas de real que valiam 27 bilhões de dólares (90% fabricadas na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro e 10% impressas em quatro países). Foram distribuídos também 900 milhões de moedas, que pesavam 2 mil toneladas. A mudança nos cofres custou ao Governo 10 milhões de dólares.

     

    Fontes: G1 – Wikipédia – Folha BV

    31 December

    FELIZ ANO DO RATO

     
    Wirismar Ramos
    JORNALISTA
     
    E 2007 se foi - para alguns como eu - sem deixar saudades. Êta anozinho cheio de coisas ruins: tragédias, enfermidades, terremotos (até em Roraima)... Mas 2008 chega com a perspectiva de ser, pelo menos, melhor que 2007. De minha parte, espero que neste novo ano, senão tudo, mas pelo menos a maior parte dos nossos anseios não alcançados em 2007, se concretizem.
     
    2008, segundo o Calendário Chinês, é o Ano do Rato, que começa em 07 de fevereiro e termina em 25/01/2009. No Brasil, o rato representa muita coisa negativa: coisa suja, transmissor de enfermidades, ladrão e político corrupto. Mas eu prefiro acreditar que 2008 será muito diferente de 2007, especialmente no aspecto político. Afinal, o brasileiro já não aguenta mais tantos escândalos, tanta corrupção.
     
    Na cultura chinesa, o Ano do Rato é sempre considerado um período de muita fortuna e tartura, favorecendo o comércio, as atividades produtivas e os negócios em geral. 2008 é o Ano do Rato do elemento Terra, quando terá início um período em que os resultados concretos no campo material poderão ser alcançados.
     
    Este será o ano ideal para iniciar projetos de longo prazo e grandes empreendimentos. As atividades culturais, artísticas, científicas e filosóficas estarão especialmente favorecidas. No amor, o espírito de aventura e as paixões fortes serão a tônica do ano do Rato. As amizades estarão amplamente beneficiadas no ano em que o clima de otimismo e entusiasmo predominará em todos os setores de nossas vidas.

    Feliz Ano do Rato !
    28 December

    NOS BASTIDORES I

     
    Wirismar Ramos
    JORNALISTA
     
    Da série Bastidores, trago agora mais algumas situações cômicas ocorridas entre colegas da imprensa roraimense e importantes autoridades do Estado. O ano era 2000 e o governador, Neudo Campos. A situação era a troca do secretário de Agricultura, Simeão Peixoto, que deixava a titularidade da Pasta para assumir como adjunto.

     

    Após a solenidade de posse do novo secretário, como de praxe, o repórter Riba Alves, da Rádio Roraima, solicitou ao governador uma atenção especial para passar um flash ao vivo à emissora, no que foi prontamente atendido. Empolgado, Riba inicia sua transmissão:

     

    “A reportagem da Rádio Roraima encontra-se neste momento no Palácio Senador Hélio Campos, onde acaba de acontecer a troca do secretário de Agricultura... ao meu lado, está o governador Neudo Campos. Governador, o que muda com a saída de Simeão Peixoto da Secretaria de Agricultura?”

     

    O governador, que não perdia uma boa oportunidade de deixar um repórter sem graça, respondeu: “Muda o Simeão Peixoto”. O episódio foi presenciado pelo também repórter Lando Santos. Este, aliás, também protagonizou bons momentos que valem à pena ser registrados.

     

    Quem conhece Lando Santos sabe que, antes de fazer uma pergunta, ele costuma fazer algumas considerações, segundo ele, para deixar o entrevistado mais à vontade. Mas, com o saudoso governador Ottomar Pinto, esse método não funcionava. Com ele, o repórter precisava ser bem direto e ter cuidado para formular a pergunta. Lando Santos descobriu isso tão logo Ottomar assumiu o Governo, em novembro de 2005.

     

    Em abril de 2006 (dia 15, para ser mais preciso), por ocasião da assinatura pelo presidente Lula do decreto que homologou a reserva indígena Raposa/Serra do Sol, acontecia no mesmo dia uma solenidade no Palácio Senador Hélio Campos e, na ocasião, o governador anunciou que estaria entrando com vários processos na Justiça para tentar reverter a situação, que considerava inadmissível, uma vez que o decreto presidencial mantinha a demarcação em área contínua e não em ilhas, como pleiteava o Estado.

     

    Lando Santos, então, fazendo um “stand up” com o governador, para o programa de TV Roda Viva, disse: “Governador, o presidente Lula acaba de homologar, por meio de decreto, a demarcação da reserva Raposa/Serra do Sol de forma contínua, contrariando todas as expectativas não apenas do Governo, mas de toda a classe política e sociedade de um modo geral do Estado, que queriam a demarcação em ilhas, preservando as estradas, sedes dos municípios, prédios públicos, faixas de fronteira e linhas de transmissão de energia. Diante dessa situação, o senhor anunciou que o Governo do Estado vai acionar a União na Justiça. A intenção é tentar tornar sem efeito esse decreto presidencial, governador?”

     

    O governador Ottomar Pinto, respondeu: “Sim. É isso mesmo”. E acabou por aí a entrevista.

     
    27 December

    SAFRA NOTA DEZ

     
    Wirismar Ramos
    JORNALISTA
     
    Mais uma turma de Comunicação Social (habilitação em Jornalismo) da Universidade Federal de Roraima (UFRR) acaba de defender seus TCC's (Trabalhos de Conclusão de Curso), ou, em alguns casos, monografias. O importante é que senão todos, pelo menos a maioria tirou nota máxima e não foi pela benevolência da banca examinadora, mas pela qualidade dos trabalhos apresentados. Dentre esses novos jornalistas de fato e de direito (alguns já estão no mercado de trabalho), posso citar Johann Barbosa (repórter da Rádio Roraima e da TV Ativa), Sonia Lúcia Nunes (repórter do jornal Roraima Hoje) e Marcos Zouein (coordenador de Jornalismo da Rádio Roraima).
     
    São profissionais que, de fato, enriquecem o fazer jornalismo em Roraima. Chegam com novo fôlego e bagagem de sobra para promover mudanças e mostrar toda a beleza de escrever com ética e responsabilidade, honrando o que aprenderam não apenas na academia, mas também já na correria do dia-a-dia e o diploma que receberão dentro de alguns dias. É uma longa jornada desde o vestibular até esse momento, que não é o ponto final, mas apenas o início de uma longa e bela carreira.
     
    No final de 2006, juntamente com os meus amigos Renato Souza (hoje na Comunicação Social do Governo do Estado), Najla Paracat (Suframa), Humberto e Luiza Maura, eu também passei pela mesma emoção de defender monografia e colar grau, apesar de já exercer a profissão de jornalista desde o final de 1989. O que mudou depois do diploma? Aparentemente nada, mas confesso que acabou aquela sensação de estar trabalhando na clandestinidade. Além disso, hoje temos legitimidade para ocupar qualquer função na área de jornalismo, seja por meio de concurso público, ou não.
     
    Passar pela academia foi para mim uma das experiências mais fantásticas da minha vida e acredito ter sido assim também para a maioria dos profissionais que tem orgulho da profissão que escolheu para militar. É bem verdade que tive algumas decepções com situações que considero, no mínimo, inadequadas, mas o aprendizado e a troca de experiências superaram todas as dificuldades e expectativas.
     
    Que eu sou defensor da formação de nível superior em Comunicação Social para o exercício da profissão de jornalista e totalmente contra os pseudo-jornalistas que infelizmente ainda prostituem o mercado (mais conhecidos como jabazeiros), não é novidade para ninguém. Mas quero dizer que, pelo menos em Roraima, essa situação já está melhorando: hoje, a maioria das emissoras de rádio e TV, além dos jornais, ao contratar algum profissional, exige que este pelo menos esteja cursando Jornalismo. Sinal da mudança dos tempos, diferente de uma época (não muito distante) em que se precisava apenas ter concluído o ensino médio para virar repórter.
    26 December

    NOS BASTIDORES


    Wirismar Ramos
    JORNALISTA

    Nós, jornalistas, que cobrimos o dia-a-dia dos Poderes Executivo e Legislativo, temos o privilégio de saber primeiro dos acontecimentos e decidir o que é importante ser noticiado. Mas, além do assunto principal que se está acompanhando, é importante também estar atentos para os bastidores, porque uma conversa de pé-de-ouvido pode se tornar um furo jornalístico, ou a manchete do dia seguite (no caso dos jornais). Em alguns casos, presenciamos também alguns fatos hilários e é, justamente neste ponto que vamos nos ater.

    Quando eu cobria as sessões da Assembléia Legislativa de Roraima (ALE-RR) pela TV Caburaí, em 1998, presenciei um episódio cômico: o Plenário votava um Projeto de Lei qualquer e alguns deputados, mesmo na hora da votação, estavam distraídos falando ao celular, ou lendo jornal. A votação era nominal e aberta e, quando o primeiro secretário chamou o deputado Chico Doido, este disse: "voto com o líder do meu partido". Ao que o primeiro secretário respondeu: "deputado, quero informar a Vossa Excelência que o líder do seu partido não compareceu hoje a esta casa". A risada foi geral no Plenário e nas galerias.

    Pouco tempo depois, eu já estava na equipe da Secretaria de Comunicação Social (CCS) do Governo de Roraima. A secretária era Consuelo Oliveira e o governador, Neudo Campos. Estávamos em plena campanha "Vala Limpa Vale Prêmio" e eu, além de chefe de Jornalismo da CCS, era o apresentador dos shows da campanha (eram dois por dia: um pela manhã e outro à tarde) que contavam com o sorteio de vários prêmios, shows musicais e apresentações artísticas nos bairros da Capital.

    Determinado dia, o primeiro show aconteceu pela manhã no bairro Jardim Equatorial, reunindo muita gente, atraída pela premiação e as atrações. Quando chamei o governador, este já subiu ao palco com uma piada "na agulha". Contou-a e todos riram. À tarde, o show foi na praça do bairro Asa Branca. Para a nossa surpresa (da equipe e minha) o governador, ao subir ao palco, contou a mesma piada da manhã. O silêncio que se seguiu foi sepulcral. Eu então aproveitei para "tirar uma casquinha" e disse: "governador, às vezes, é preciso trocar de piada". Como ele não gostava de perder uma, pensou um pouco e respondeu: "mas eu troquei de bairro". Aí, sim, não deu para segurar a risada.

    Com o saudoso governador Ottomar Pinto, presenciei dois episódios engraçados. O primeiro foi mais uma "saia justa" e aconteceu na solenidade de posse de André Luiz Diniz como secretário de Estado da Segurança Pública, na Sala de Reuniões do Palácio Senador Hélio Campos. Eram 7h30 da manhã e alguns secretários e assessores ainda estavam meio sonolentos. A solenidade foi marcada para tão cedo da manhã porque o governador embarcaria à Brasília logo após dar posse ao novo secretário.

    Pontualmente às 7h30 Ottomar e a primeira dama, Marluce Pinto, entraram na Sala de Reuniôes, que já estava completamente lotada. O mestre de Cerimônia, então, deu início às formalidades e, no momento de anunciar a fala do governador disse com voz firme e empostada: "e agora, vamos ouvir as palavras do excelentíssimo senhor governador do Estado de Roraima, Flamarion... perdão! Ottomar de Sousa Pinto". Primeiramente, o silêncio foi total. Depois, alguns ensaiaram umas risadas, mas o governador Ottomar Pinto não demonstrou qualquer reação e prosseguiu com a solenidade como se nada tivesse acontecido. Detalhe: poucos meses antes Ottomar havia assumido o Governo de Roraima por uma decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que cassou o mandato de Flamarion Portela. E o mestre de Cerimônia não foi demitido.

    O segundo episódio, protagonizamos Lóide Gomes e eu, no ginásio Hélio Campos. Ela, repórter do jornal Folha de Boa Vista e eu, repórter da Rádio Roraima. A solenidade era da Secretaria de Estado da Educação e estava prevista para ter início às 17h, mas o governador Ottomar Pinto só chegou às 18h. Como precisávamos adiantar o nosso lado, sugeri à Lóide que tentássemos gravar com o governador antes da solenidade que, com todas as formalidades e pronunciamentos, certamente demoraria muito tempo.

    Quando o governador desceu do carro, fomos ao seu encontro e ele nos recepcionou de forma cordial. Olhou para Lóide e disse: "você está muito elegante. Me empresta esses cachos loiros?", referindo-se aos cabelos dela. Eu, então, arriscando levar uma resposta atravessada, apliquei: "governador, sinceramente, acredito que o senhor não ficaria bem com essa cabeleira". Ele olhou para mim, quase não acreditando na minha ousadia e apenas confirmou, sorrindo: "realmente".

    DE VOLTA À REALIDADE


    Wirismar Ramos
    JORNALISTA

    Aos poucos, Boa Vista (e todo o resto do Brasil) volta à normalidade. Por onde passei agora pela manhã, pude perceber ainda a ressaca das pessoas que aproveitaram o final de semana prolongado (por conta do ponto facultativo de segunda e o feriado do Natal de terça-feira) para beber todas. Outros, como eu, preferiram passar esse período ao lado da família, já que nos dias normais da semana quase não têm tempo para dar atenção à esposa, aos filhos, aos pais...

    Muita gente deixou a cidade para passar o feriado no interior, nos balneários, sítios, ou em fazendas. Aliás, para quem tem teve essa opção, com certeza foi a melhor decisão. Entrentanto, alguns mais exaltados abusaram da bebida, misturando álcool e direção e o resultado todos já sabem: acidentes e mortes que, infelizmente são fatos que já se tornaram comuns. Feriado e final de semana se tornaram sinônimo de tragédia. Os profissionais do Pronto Socorro e do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) que o digam.

    A PRF (Polícia Rodoviária Federal) registrou 160 mortes nas estradas federais brasileiras entre a 0h de sexta-feira e as 6h de ontem - aumento de 77,8% em relação ao Natal do ano passado. Somente em Roraima, foram registrados quatro acidentes: o primeiro deles já no sábado à tarde, na BR-174, quando o motorista Manoel Silva Lima, 33, numa Saveiro prata, literalmente voou na entrada da Capital, vindo da Venezuela, atingindo em cheio um poste de madeira, que quebou ao meio com o impacto. O motor do carro foi jogado longe. O motorista morreu na hora e o carona foi levado em estado grave para o Pronto Socorro.

    Nesta terça-feira, um motociclista embriagado atropelou um ciclista na RR-205, estrada de acesso ao Município de Alto Alegre. De acordo com a PRF, os acidentes foram provocados em sua maioria por imprudência. No ano passado, nesse mesmo período, foram registrados oito acidentes com 41 feridos. Para o Ano Novo, o mesmo esquema de fiscalização do tráfego nas estradas será montado com a operação que começa dia 28 e termina em 1º de janeiro.

    Fora os acidentes nas estradas, também foram registradas diversas brigas que resultaram em homicídios e feridos, tudo por conta do abuso da bebida alcoólica ou do uso de drogas. A polícia civil registrou quatro homicídios no interior de Roraima: um região do Roxinho (Município de mucajaí), onde um homem conhecido como Mineiro, 60, foi morto a facadas na tarde de segunda-feira (24); e os outros três casos foram registrados no Município de Pacaraima, na fronteira com a Venezuela.

    Enquanto isso, famílias ficam órfans, pais ficam sem seus filhos e as estatísticas são, cada vez mais, engrossadas. Na próxima semana terá mais um final de semana prolongado e, infelizmente, não deverá ser diferente, ou ainda até mais grave do que neste Natal. É triste, mas é a relidade.

    25 December

    QUANTAS CASSAÇÕES!

     

    Por Wirismar Ramos

    JORNALISTA

     

    Definitivamente 2007 não foi um ano bom para os prefeitos do interior de Roraima, especialmente para aqueles que tinham algum desentendimento com a Câmara Municipal, ou, melhor dizendo: algo a explicar à sociedade que os elegeu para realizar um trabalho e acabou se decepcionando.

     

    Dos 15 municípios de Roraima, seis tiveram prefeitos cassados, acusados de vários delitos. São eles: Amajari, Iracema, Caracaraí, Pacaraima e, mais recentemente, São João da Baliza e Mucajaí. As acusações mais comuns são: compra de votos nas eleições de 2004 e improbidade administrativa.

     

    O Legislativo também teve o seu inferno astral neste ano de 2007. Na Assembléia Legislativa de Roraima (ALE-RR), dois deputados perderam seus mandatos neste ano (César Babá e Antônio da Sinuca). Na Legislatura anterior, outros dois deputados também tiveram seus mandatos cassados. Vereadores também foram cassados em Boa Vista (2005), Iracema e Caracaraí.

     

    Mas 2007 ainda foi pequeno para as pendências de alguns políticos com a Justiça e a sociedade. Ficaram para 2008 decisões importantes que podem mudar a vida de muita gente e, de certa forma, de toda a sociedade roraimense, porque envolve a máquina administrativa estadual.

     

    Numa dessas decisões, o governador Anchieta Júnior (PSDB) deverá enfrentar, já em janeiro, o julgamento no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Roraima, em mais uma das várias ações movidas pelo senador Romero Jucá (PMDB) contra a chapa que reelegeu o governador Ottomar Pinto (PSDB) em 2006 - de quem o vice Anchieta herdou o Governo.

     

    Jucá, segundo colocado nas eleições de 2006, e seus aliados, contam quase como certa a vitória que poderá leva-lo a assumir o Governo de Roraima. Se isso acontecer, será uma repetição do que aconteceu em novembro de 2005, quando Flamarion Portela perdeu o mandato para o seu adversário Ottomar Pinto.

     

    O deputado estadual Chico das Verduras (PRP), cassado neste ano pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também aguarda decisão do julgamento do mérito da ação no Supremo Tribunal Federal (STF). O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB) e o deputado federal  Neudo Campos (PP) também têm ações contra seus mandatos tramitando no TSE - outras decisões que ficaram para 2008. Outro que terá de responder à Justiça eleitoral é o deputado estadual Zé Reinaldo (PSDB).

     

    Aliás, 2008 é ano eleitoral, quando vamos escolher prefeito e vereadores. É também o momento de refletirmos sobre o que queremos para nós mesmos e para os nossos filhos. Apesar de muita gente dizer que não gosta de político, todos nós devemos estar interessados e atentos para as ações e consequências da política e seus atores.

     

    Como eleitores, querendo ou não, somos parte da política e também responsáveis pelas atitudes dos políticos, afinal, somos nós quem os colocamos no poder. Por isso, antes de votar, devemos pensar muito (e agora é um bom momento para se começar) antes de eleger os nossos representantes. É o que vou fazer, porque não quero ver nenhum político que tenha recebido o meu voto, envolvido com processo de cassação.

    03 April

    Vinho entre uvas


    Um olhar;
    olhares.
    Um sorriso;
    sorrisos.
    Uma palavra;
    palavras.
    Uma amizade;
    profunda amizade.
    Um sentimento;
    profundo sentimento;
    o maior de todos
    e o Leão vira cordeiro...
    Uma taça de vinho
    entre uvas frescas;
    outra... outras...
    A chuva.
    Um beijo;
    mais um...
    De repente, a paixão.
    E a razão?
    Ignoramos...
    e deixamos rolar.
    Até quando?
    Não sei dizer...
    Só o tempo dirá.
    Peço então a Deus que faça
    esse momento eternizar.
    22 February

    Excluído, eu?

     
    Wirismar Ramos
    JORNALISTA
     
    A luta não foi fácil. Foram oito anos de muita batalha, trabalho, alegrias, tristezas, estresses, conquistas, momentos hilários (outros nem tanto). Uma vida inteira de dedicação e malabarismos para conciliar o horário de trabalho com a faculdade.
    Muitas vezes tive que sair da sala de aula para atender ao chamado do meu chefe ou faltar aulas por conta de viagens para o interior do Estado. Mas alcancei a vitória e hoje posso estufar o peito o dizer com orgulho aos quatro ventos: “sou jornalista de fato e de direito” (isso porque, quando iniciei o curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da UFRR já exercia a profissão havia nove anos).
    Mas o mérito de passar tanto tempo assim para se formar não é somente meu: conheço pessoas que também passaram oito, nove e até dez anos. Aliás, um dos melhores professores que a UFRR tem hoje chama-se Maurício Zouein que, após passar dez anos cursando jornalismo , passou no concurso e entrou em seguida para os quadros da instituição e é hoje, entre outras coisas, diretor do Núcleo de Rádio e TV Universitária.
    Cada um, evidentemente, teve suas dificuldades e suas razões para passar quase uma vida para concluir seu curso. Oito, ou dez anos, é muito tempo e, nesses casos, o acadêmico cria um vínculo muito forte com a instituição. Enquanto adquire conhecimento e divide experiências, também ganha afinidades com os professores, conquista amigos e cria uma verdadeira história.
    Conheço histórias de pessoas que, mesmo depois da graduação, não conseguiam se desvincular emocionalmente da universidade. Por várias vezes saíam do trabalho e, no mesmo horário em que deveriam ter aulas quando ainda acadêmicas, iam para a universidade e passavam horas sentadas na pracinha, apenas pelo prazer de estar ali, de se sentirem ainda parte daquela instituição. Hoje, algumas dessas pessoas são professoras substitutas. Foi uma das formas que encontraram para continuar fazendo parte, integradas ao convívio acadêmico da UFRR.
    À medida que o final do curso se aproximava, eu experimentava variados sentimentos: alegria, por finalmente estar concluindo; tristeza, por estar de certa forma me distanciando dos amigos; saudade antecipada, pela desvinculação natural com a instituição; entre outros.
    Enquanto isso, tentava aceitar a realidade, mas de forma gradual, lenta, conforme os acontecimentos: realização da pesquisa, elaboração do texto e correções da monografia, produção do documentário, pré-banca, apresentação na bancada e, finalmente, a formatura.
    Esse cronograma é necessário não apenas pela exigência administrativa, pedagógica, prática da coisa, mas até como forma de preparar psicologicamente o acadêmico. Entretanto, entendo que o lado psicológico, sentimental mesmo dos formandos, precisa ser melhor trabalhado pela administração.
    Digo isso pelo fato de ter passado por uma experiência traumatizante nesse processo. Para alguns pode até parecer besteira, mas para mim foi muito chato presenciar a bibliotecária rasgar, destruir a minha ficha de cadastro da biblioteca, quando fui pegar o “Nada Consta”, documento necessário para a colação de grau.
    Foi uma brusca ruptura da minha ligação com a instituição. Foi como se ela tivesse feito a minha “ficha cair” dizendo em alto e bom Português: “se toca, você não faz mais parte desta universidade”. Naquele momento, me senti excluído, como o pior ser humano da face da Terra. Logicamente que não questionei com a moça porque nem forças tive para reagir a tamanha agressão.
    Nos Estados Unidos, esse simples gesto poderia ter gerado conseqüências drásticas e onerosas para a instituição. Num país onde tudo dá ação judicial, eu poderia ter movido um processo contra a UFRR, ou o Governo Federal, exigindo uma indenização milionária por danos morais ou constrangimento público. E não estou exagerando.
    Convenhamos: a bibliotecária poderia muito bem ter evitado esse transtorno simplesmente deixando para rasgar a ficha de cadastro depois que eu tivesse saído da sala.
    Hoje, refeito do susto, clamo às digníssimas autoridades educacionais daquela e de outras instituições de ensino público, seja de nível médio ou superior (em especial à UFRR), que não deixem mais isso acontecer. O erro deve ser evitado e, em último caso, se comete apenas uma vez, tirando dele a lição para aprender a fazer direito.
    23 January

    Um louco apaixonado

     
    Wirismar Ramos
    JORNALISTA
     
    E o amor, é o que?
    Alucinação do coração, ou desvarios do sentimento humano?
    E a paixão, é loucura?
    Mesmo que me considerem um louco, serei sempre louco por você;
    Mesmo que você me esnobe, serei com prazer, seu serviçal.
    Pudera eu ser a sola das suas sandálias para sustentar-lhe o corpo desprovido de qualquer imperfeição...
    Pudera eu ser a água que molha o teu corpo e te devolve o frescor que, num dia quente de verão, refrigera até a alma...
    Pudera eu ser o Sol que te aquece a pele macia e reaviva a tonalidade morena nessa brancura ofuscante e deliciosa...
    Pudera eu ser o vento que, ao tocar nos teus cabelos, revela a beleza das mechas delicadamente perfumadas e sobrepostas nos ombros de mulher-menina-moleca...
    Pudera eu ser a sombra que te acompanha e te confere harmonia e desenvoltura, tornando a tua silhueta um ornamento deslumbrante, que consagra toda a criação divina...
    Pudera eu ser, ao menos, uma referência, uma lembrança...
    Já que não posso ser algo mais que isso, em ser teu amigo, tenho ainda a consolação e a esperança.

    Meu Sentimento

     
    Wirismar Ramos
    JORNALISTA
     
    Em algum lugar do meu subconsciente, sei que algo de estranho está acontecendo. Já senti isso antes, mas há muito tempo.
    A emoção, o sentimento, a alegria, a tristeza, a dor... são coisas que, de repente, aparecem de uma forma mais intensa.
    Sinto-me fragilizado.
    Eu, que me considerava o mais insensível dos mortais, agora reconheço que também tenho a capacidade de expor meus sentimentos: quero gritar, revelar ao mundo que estou vivo e, agora, mais do que nunca.
    Tenho medo do que possa acontecer daqui para a frente porque, na verdade, o que sinto agora ainda é segredo. O alvo ainda não foi alcançado (alvo?).
    A vida, às vezes, conspira com o coração e, levados pelas artimanhas do destino, acabam por desabrochar sentimentos enlouquecidos, originariamente impossíveis.
    Uma utopia. Mas, e daí? Para o amor nada pode ser impossível, intangível... senão, não seria amor.
    O amor verdadeiro deve ser cheio de desafios, conquistas, às vezes decepções. Mas quem ama encontra forças para vencer todas as adversidades e, finalmente, desfrutar do gozo de estar ao lado da pessoa amada.
    O destino me pregou uma peça. Achei que jamais incorreria novamente no mesmo erro que me causara tantos sofrimentos.
    Apesar de ter passado tantos anos, sinto-me novamente como se vivesse à mesma época, como um adolescente.
    Se existe algum culpado nessa historia, é você.  Não tome isso, no entanto, como uma recriminação, mas apenas reflita nas conseqüências que poderão advir.
    Confesso que, para mim, tem sido um doce martírio.
    Não quero ser precipitado e, por isso, aguardo o desenrolar dos acontecimentos. Mas, na verdade, a vontade é de correr para os seus braços e deixar transparecer toda a paixão, todo o amor que arde em meu peito e que me consome a cada dia, cada momento em que você cruza o meu caminho.
    Por que você não é adversa? Seria muito mais fácil para eu tentar sufocar esse sentimento por uma pessoa desprovida de qualquer simpatia.
    Mas não. Você sempre vem com um sorriso malicioso, um olhar carinhoso e palavras que me fazem tremer nas bases.
    Posso até estar enganado, mas sinto que você faz isso de propósito. O meu desconcerto te faz feliz.
    O que será que você quer de mim?
    As minhas indagações escondem ansiedade, incertezas, expectativas, frenesi... acho até que, no fundo, já sei a resposta (embora não queira saber, ou gostaria que não fosse tão evidente).
    A diferença do adulto para o adolescente é essa ausência de percepção, de malicia, no primeiro caso.
    Eu era feliz e não sabia? Acho que não.
    No passado sofri em vão e não sabia que atitudes tomar. Hoje, apesar das incertezas, receios e ponderações, sei exatamente o que quero e conheço os caminhos a trilhar para alcançar o meu objetivo.
    Confesso não ter certeza do que pode acontecer amanhã. Mas, o que me importa? Eu preciso viver e viver intensamente cada momento, como se fosse o ultimo minuto do resto da vida. Esta é a única forma de se valorizar uma vida inteira de luta, abnegações, conquistas, frustrações...
    De uma coisa tenho certeza: você é o meu alvo.
    Tentei, de todas as formas, tirar essa idéia da cabeça, mas, a partir do instante em que se tornou mais evidente, cheguei à conclusão que seria impossível ignorar a voz do coração.
    E o meu coração clama por você!
    12 January

    Oportunistas de plantão

     
    Wirismar Ramos
    JORNALISTA
     
    A discussão em torno da legitimidade do diploma de curso superior em Comunicação Social como exigência para o exercício da profissão de jornalista é uma questão que tem gerado polêmica em todo o território nacional. É uma novela que ainda terá muitos capítulos, até que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida se mantém a exigência ou não.
    Entre os jornalistas, a questão divide opiniões Brasil afora. Antes de defender posições "A" ou "B", é preciso fazer ponderações, observar o cotidiano da imprensa, analisar os prós e os contras. Nesse sentido, gostaria de contribuir mais uma vez com essa discussão expondo algumas situações de grande relevância para o assunto.
     
    Sem noção
     
    Dia desses fui abordado por uma equipe de televisão querendo que eu opinasse a respeito do trabalho da imprensa em Roraima. Até aí, tudo bem. Nada de mais em um jornalista emitir opinião a respeito de sua profissão para uma matéria de telejornal.
    Estranha foi a abordagem da equipe: quem explicava o assunto e solicitava a entrevista não era o repórter e sim o cinegrafista. Isso porque o repórter mais parecia um adolescente assustado do que um profissional preparado para realizar a entrevista e produzir uma matéria à altura do assunto.
    Eu, de antemão, recusei conceder a entrevista por não conhecer o "repórter" e, por isso mesmo, não ter confiança se o resultado final da matéria seria o prenunciado. Depois fiquei sabendo que o rapaz está em início de carreira e tem apenas o ensino médio. Casos como esse são bem conhecidos aqui em Boa Vista (RR) e acredito que em muitas outras grandes e pequenas cidades brasileiras também.
    Um jornal local, até pouco tempo, oferecia vaga para repórter exigindo apenas o ensino médio. Também a cada coletiva que acontece, nos deparamos com uma ou duas foquinhas que não sabem nem segurar o microfone, quanto mais arriscar a fazer uma pergunta. A maioria sai de agências de modelo e, por ter um rosto bonitinho e um corpo bem definido (nada contra quanto a esses quesitos), é requisitada para integrar equipes de reportagem de programas de origem e intenções duvidosas.
     
    Qualificação
     
    Minha preocupação não é apenas se esses profissionais têm ou não diploma de jornalista para exercer a profissão, mas também se são qualificados, de fato, para a função. Enquanto discutimos a legitimidade do diploma, dezenas, centenas de pessoas desqualificadas ocupam cada vez mais espaço na imprensa em detrimento de milhares de profissionais que são formados todos os anos.
    Não questiono o direito dos jornalistas que, apesar de não terem diploma, são considerados grandes profissionais. Afinal, também defendo a tese de que o diploma não faz o jornalista, mas sim a vocação para escrever, interpretar fatos e transformá-los em notícias que servirão para a sociedade se informar e até formar sua própria opinião.
    O que me deixa triste é o fato de muitos veículos de comunicação, a pretexto de mão-de-obra barata, continuarem contratando pessoas de formação duvidosa e capacidade idem, enquanto todos os anos milhares de jovens são formados jornalistas e, com um pouco de boa vontade, poderão se transformar em profissionais competentes em pouco tempo.
    E os sindicatos? Por que não fazem nada? Porque estão de mãos amarradas até que o Supremo decida de vez a questão. Enquanto isso, só resta fazer gestões junto às empresas de comunicação para que priorizem os profissionais sindicalizados. Quanto à Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), continua sua luta incansável a favor da regulamentação do diploma.
    04 January

    O diploma e as imbecilidades

    Wirismar Ramos

    JORNALISTA

    Decepcionado. Foi assim que me senti depois de ler uma série de absurdos e imbecilidades escritas por um acadêmico de Comunicação Social da Universidade Federal de Roraima (UFRR) no site Fonte Brasil (www.fontebrasil.com.br), a respeito da questão da exigência ou não de diploma universitário para exercer a profissão de jornalista.

    Esse acadêmico já exerce a profissão há muito tempo e somente agora está se formando jornalista. Nada contra, afinal, eu também só procurei a UFRR nove anos depois de iniciar a minha carreira, na Rádio Ponta Negra, em Santarém (PA) e somente oito anos depois é que consegui o meu diploma.

    O que me causa estranheza é o fato de um jornalista por direito (e daqui a alguns meses, de fato), defender a não exigência do diploma para o exercício da profissão. Ora, que alguns acadêmicos escrevem mal e alguns professores do curso deveriam estar noutra profissão, isso todo mundo sabe. Aliás, qual é o curso que não tem seu "calcanhar de Aquiles"? Mas, daí a defender os irregulares...

    Se é assim, o que faz o dito jornalista no curso de Comunicação Social da UFRR? Sinceramente não entendi, já que o diploma não significa nada para ele. É por causa de opiniões medíocres desse tipo que a nossa categoria está empestada de maus profissionais. Qualquer "Zé Ruela" acha que pode ser jornalista e começar a escrever, produzir, ou falar os absurdos com os quais nos deparamos no dia-a-dia.

    A questão ainda não está decidida, mas a luta continua no Supremo Tribunal Federal. Todo esse imbróglio começou quando a juíza-substituta Carla Rister, que em 2001, não tendo nada mais importante para fazer, decidiu extinguir a exigência do diploma de curso superior em Jornalismo na obtenção do registro profissional para exercício da profissão de jornalista.

    Não se trata de protecionismo, como disse o colega. Pelo contrário, é uma questão de justiça. Não podemos deixar que a nossa categoria seja ainda mais corrompida do que já está, com pessoas escrevendo e emitindo suas opiniões sem critérios.

    Claro que, para ser jornalista é preciso, antes de tudo, ter vocação. Mas a formação acadêmica oferece base teórica e as técnicas necessárias para a construção de um texto limpo, ético, sem vícios, sejam eles de linguagem ou de caráter.

    Dizer que o diploma de curso superior em Jornalismo não é importante para o exercício da profissão de jornalista é prestar um desserviço à educação do país, quando milhares de jovens estão há anos na academia na batalha para concluir o seu curso de Comunicação Social, seja em faculdades particulares ou universidades públicas.

    Respeito a opinião do colega, mas também defendo a tese de que, se não tenho respaldo para emitir opinião sobre determinado assunto que não domino, prefiro ficar quieto e, neste caso, esperar que o Supremo finalmente decida a questão.